quinta-feira, 3 de abril de 2008

POESIA COM A LÍNGUA

Tônicas e hiatos

Ú

Quantos agudos
Enchem
Esse buraco?

Ê

Chapéu para
Inglês ver.

É

Quando chove
sobre o chapéu,
Somente o é
Se molha.

Ü
Fazendo malabarismos,
Torço para que
Ele não trema.



São gêmeos,
Mas não univitelinos.


AA

Esses sim,
Univitelinos.


Ó

Corra senão
Ele acerta
O alvo

ÔO

Definitivamente,
Sombra e água fresca
Não é para
Todo mundo.

Ã

É preciso
Segurar
A onda.

À

Esse é um caso
Mais que agudo.
É crase.

OO
Olhos bem
abertos
vêem melhor.


í
Sim, senhor!

Õ

Ele não partiu
E ainda paira
Sobre minha
Cabeça.

Á

"Do alto
Da pirâmide
Vinte séculos
Vos contemplam."


jjLeandro

SARNA PARA SE COÇAR

Reprodução de um dos cartazes carregados por manifestantes durante a passagem da tocha olímpica em Istambul, na Turquia.

BEIJING DA MORTE

Parece que de fato a China arrumou sarna para se coçar.

O país tem uma série de restrições à democracia, além de oprimir outros povos, e manifestantes de todo o mundo aproveitam que o país está em evidência para chamar a atenção da opinião pública mundial.

Por onde a tocha olímpica passa, no périplo por todos os continentes, que terminará em Beijing (Pequim para os brasileiros), os protestos acontecem. A proximidade do evento tornará os protestos muito mais assíduos e duros, quem sabe, podendo chegar até a China.

No protesto de Istambul (Turquia) nesta quinta-feira (03/04), um cartaz me chamou a atenção (reprodução acima), que eu - aproveitando o trocadilho que a língua permite com o nome da cidade-sede-, então assim intitulei: BEIJING DA MORTE.

O som da palavra (BEIJIM) assemelha-se muito à forma como o brasileiro pronuncia a palavra beijinho. E quem deseja esse beijinho da morte? Se não tomar cuidado, a China é que poderá recebê-lo.

jjLeandro


quarta-feira, 2 de abril de 2008

O BURACO NO CÉU

O céu
Tem um abismo
No fim.
Afirmo: é um buraco
Para o inferno,
Ou não
acreditam em mim?


jjLeandro

terça-feira, 1 de abril de 2008

MUNDARÉU DE ÁGUA EM ARAGUAÍNA

População se protege da chuva
Centro esportivo alagado na Marginal Neblina



Muita água nos escoadouros das calhas dos telhados



Centro da cidade sob chuva


Córrego Neblina: em alguns pontos mais baixos ele transbordou


Avenida Cônego João Lima às 11h30min



Muita água em Araguaína (Centro da cidade)



Choveu forte hoje em minha cidade desde o início da madrugada. O temporal só abrandou agora às 12h 30min. Chuva forte, muito forte, que causou mais uma vez apreensão nos moradores marginais do córrego Neblina. Em alguns pontos, ele transbordou trazendo prejuízos à população dos bairros Neblina e Noroeste.
O transbordo do córrego não é raro quando as chuvas são fortes e persistentes, alagando as casas às suas margens. No setor Alaska, um centro esportivo permanecia debaixo d'água ainda ao meio-dia.
Nas ruas a água varria o asfalto, impossibilitada pelo grande volume de ser absorvida pela galeria pluvial. A água descia aos borbotões pelas calhas dos telhados e a população, que preferiu em sua maior parte permanecer em casa, buscava a proteção de marquises.




jjLeandro (texto e fotos)


sábado, 29 de março de 2008

PROIBIDO MORRER

Foto: Cemitério em Sarpourenx


EM BUSCA DA VIDA ETERNA EM SARPOURENX

por jjLeandro


Vi na mídia que o prefeito de uma cidadezinha francesa proibiu por decreto que os cidadãos de lá morressem. Ele buscava apenas uma solução para o problema que afeta a sua cidade: sem espaço para crescer o cemitério, não há como enterrar os mortos.
Minha avó que, apesar dos 92 anos, ainda ouve muito bem e como qualquer mortal – independente de idade – não quer morrer nunca, acordou imediatamente do cochilo diante do aparelho de TV. Arregalou os olhos e grunhiu, rompendo os últimos vestígios do sono:
– Menino, eu ouvi bem?
– Sim, vó, a senhora ouviu bem.
– E o que eu ouvi?
Além de me chamar de menino, apesar dos meus quase 50 anos, cultiva o vício – que irrita a mim e ao bando de netos – de exigir que a gente diga o que ela fez ou ouviu, numa atitude ranzinza de desconfiar que nunca lhe damos a devida atenção.
– A senhora ouviu que o prefeito francês não vai mais permitir que ninguém morra em sua cidade.
– Menino, cadê meu tricô? – mas antes de uma resposta minha pegou o trabalho e enquanto tecia, continuou: Qual é mesmo a cidade dele?
– Sarpourenx, vó. Uma cidadezinha do sudoeste francês. Tem só 200 habitantes.
– Amanhã você me faz um favor?
– Quantos a senhora quiser – eu concordei logo, tentando abreviar a conversa e voltar ao meu noticiário.
Ela abriu um sorriso nas faces enrugadas enquanto afagava meu braço.
– Não é à-toa que você é meu neto preferido. Puxou a mim, é tão paciente com as pessoas.
– Que favor a senhora deseja?
– Vá à rodoviária e veja se o ônibus faz linha para...para...
– Sarpourenx?
– Sim, sim! Esse lugar aí mesmo – e acenou a mão no ar num gesto de descaso.
– Vó, ônibus não vão daqui a Sarpourenx.
– Não vão? Vou a todo esse Brasil de ônibus, por que não ir até esse lugarzinho?
– Tem um oceano que nos separa, entende?
– Ah! O mar, sei. Seu avô dizia que ele causa enjôos. Coitado dele, quando veio moço de Portugal quase botou os bofes pra fora de tanto vomitar naquela velha banheira que chamavam de navio.
Depois de um pequeno intervalo em silêncio, que quase me aliviou por pensar que esquecera o assunto, ela contra-atacou.
– Então me explique: como faço para ir até lá?
– De avião, ora bolas! A senhora bem sabe da existência dele. Não ia muito a São Paulo nos aviões da Pan Air?
Ela apertou os olhinhos e esboçou uma careta de quem muito se esforça para arrancar uma lembrança dum passado remoto.
– É mesmo, o avião. Andei muito nesse bicho. Ele também me dava náuseas. Mas não tem problema, para ir a Sa...Sassa...Sarpourenx – riu do esforço para conseguir a pronúncia -, faço qualquer negócio. Consiga pra mim uma passagem até lá.
Não agüentei e ri da sua espontaneidade.
– E posso saber por que deseja conhecer o vilarejo francês?
– Ora, menino, não seja besta – disse dando um tapinha em minha mão estendida no braço do sofá. – Sabe que pensava que era um pouquinho mais esperto?
– Eu?!
– Sim, você mesmo. E sabe por quê?
– Por quê?
Ela não respondeu, fez-me uma pergunta.
– O que vai fazer uma velha senhora de 92 anos numa cidadezinha francesa que proíbe as pessoas de morrerem?
Não me contive.
– Não me diga que vai atrás da vida eterna?
– Bingo! Até que enfim você raciocinou, pensei que estava negando a raça.
– A senhora está mesmo falando sério?
– Menino, nunca falei tão sério em minha vida. Amanhã mesmo vou ver o saldo de minha poupança no banco. Se não for suficiente, faço um empréstimo daqueles consignados de perder de vista. Não posso é deixar de ir. Quero estar lá o quanto antes, sei lá se esse prefeito dá a doida e resolve revogar o decreto antes de eu chegar lá.
Alegando que não ia deixá-la viajar tão longe sozinha, mas no fundo querendo acreditar que o decreto do prefeito podia muito bem ser pra valer, eu lhe disse:
– Eu vou com a senhora, nada de deixar minha vozinha andando por aí sozinha.
Uma vez mais ela abriu um sorriso, que dessa vez tinha um acento zombeteiro por entender a minha intenção. Mas preferiu ser diplomática.
– Eu sempre lhe disse que você é meu neto preferido.

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domingo, 10 de fevereiro de 2008

A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO

Foto: Av. Cônego João Lima, Araguaína - To (jjLeandro)
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Dizem os entendidos que o título acima é uma máxima que promove qualquer empreendimento. Se alguém deseja ver seu negócio vitalizado, que aposte na propaganda.


Mas com tanta propaganda junta - um exagero, diga-se -, como o consumidor "enxergar" qual realmente é o bom negócio?


Se alguém tiver uma dica, não se furte a dividi-la conosco.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL

Marginal Neblina

Av. Cônego João Lima





Araguaína estava assim na terça-feira de carnaval pela manhã: deserta! Assim ficam todas as ruas de qualquer cidade após uma noite de festa. Mas aqui não há carnaval.






É isso mesmo, as pessoas migram para outras cidadezinhas próximas onde a folia de Momo é mais vibrante. Portanto, durante o dia ou durante a noite a cidade é dominada pelo silêncio que só é quebrado quando todas as pessoas voltam ao trabalho.






Aí sim, Araguaína volta a pulsar firme com toda a expressividade de ser a cidade mais promissora do Tocantins. Depois eu mostro Araguaína num de seus dias normais. Todos perceberão a grande diferença.