segunda-feira, 19 de março de 2012

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O revolucionário estádio da Copa

A possibilidade e o temor — não injustificados — de atrasos no cronograma de reformas e construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014 têm ofuscado uma observação de fundamental importância e que deveria estar na ordem do dia no país: a capacidade criativa de engenheiros e arquitetos brasileiros. Deveria ser mais observada que os orçamentos dessas obras que se inflacionam da noite para o dia, levantando suspeitas de superfaturamento que em pouco tempo — se confirmadas — podem requerer não tapetes mas gramados para esconder irregularidades. Neste jogo de gato e rato em que se enredam a imprensa, os políticos e os cartolas do futebol, os torcedores em meio ao fogo cruzado com o coração na mão, perde-se a oportunidade de comprovar quão revolucionários e criativos somos. E isso, claro, iria ratificar que Oscar Niemeyer, aplaudido no mundo todo, não foi só um feliz acidente de percurso da engenharia nacional, pouco provável de voltar a acontecer.



Bom que se diga que o frisson da Copa gerou uma onda criativa até em arquitetos de cidades que sequer serão sobrevoadas pelos aviões com delegações nacionais ou turistas. Nem por isso esses profissionais sentem-se excluídos neste mundo que já foi Aldeia Global e hoje é uma Grande Rede. Um amigo meu que o diga. Arquiteto inquieto, há muito preparava um projeto revolucionário de estádio que ‘não faria feio diante dos rebuscados, caros e ineficientes elefantes brancos de sedes e subsedes da Copa’, como se referia ao abordar o assunto. E eu cá com os meus botões, como é usual dizer aqui no interior, pensava que ele era bem capaz de um disparate iluminado. Seu histórico profissional conspirava a favor de minhas suspeitas. Fora ele que projetara o shopping da cidade — ideia excêntrica abandonada em boa hora — que previa, e aí está o mais fantástico!, uma escada rolante ambulante para acessar o mezanino deslocando-a para qualquer ponto de sua frente de mais de cem metros. Fiquemos só com esse exemplo porque outros tais são também de tirar o fôlego.



Ostrich, como o chamarei — isso é codinome pois não sou de fazer publicidade grátis —, pôs mãos à obra e me cientificou que trabalhava de forma revolucionária. Até nas folgas entre as sucessivas horas de trabalho em seu escritório, arejando a mente com goles de cerveja, não desviava a atenção de seu projeto. Sonhava: ‘Ah se eu tivesse a oportunidade de vê-lo aprovado como um dos estádios da Copa’. Voltava imediato ao escritório elevando seus sonhos em espirais da fumaça do cigarro.



Belo dia chegou ao bar onde eu estava com um grande sorriso no rosto. Era daqueles que autenticam certeza. O que será?, intriguei-me antes que se expressasse com palavras. Era o projeto de Estádio Revolução, como o batizou. Abriu o papel sobre o feltro verde da mesa de bilhar, para onde me arrastou após arrancar uma grande pasta de dentro do carro.



— É ele, veja! — exultou, quase me exigindo aplausos.



Rasgou ele mesmo elogios ao projeto. Era um arquiteto que odiava tudo que era estático.



— Veja — continuou, apontando o desenho com o dedo marcado pelo sarro do cigarro —, as arquibancadas são móveis. Deslocam-se de um lado a outro do campo. Não é genial?



Engrolei um comentário que ele atribuiu a minha estupefação diante de sua obra-prima.



Manteve por alguns segundos um silencioso suspense, para potencializar o efeito sobre mim da verdadeira revolução por fim revelada com a mesma vibração de um jogador após dar xeque-mate em decisão de título mundial de xadrez.



— O gramado tem inclinação de 45 graus de um gol a outro. Essa é a grande revolução de meu projeto, não a simples e repetitiva modificação das linhas de concreto e aço. Está, pois, no novo conceito de utilização do gramado a grande revolução.



De fato não era para menos, fiquei boquiaberto. Mas não dispensei um comentário que qualquer outro arquiteto tomaria como demolidor de seus devaneios.



— Ostrich, como os times vão jogar? Um vai estar em desvantagem.



O seu sorriso iluminado era a negativa de uma rendição.



— E eu não pensei nisso, então? Pra que temos dois tempos no futebol? Pra que as coisas se equilibrem. No segundo tempo, a vantagem troca de lado, ora.


jjLeandro

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

GRADAÇÕES DO SOL NASCENTE

O Sol ainda não nasceu. Borra o horizonte com as cores lilás e rosa. (Foto- jjLeandro)

O Sol já se insinua na linha do horizonte. As cores agora são amarelo e laranja. (Foto - jjLeandro)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

jjLeandro lança livro na FLIT premiado pela Fundação Cultural


AMIGOS, RECEBI E-MAIL DA ACALANTO DANDO CONTA DA DIVULGAÇÃO DE RELEASE SOBRE O LANÇAMENTO DE MEU LIVRO NA FLIT - REPASSO A TODOS:


O jornalista e escritor jjLeandro lança o livro Memórias de Petelico na Feira Literária Internacional do Tocantins, dia 3 de agosto, às 19h15, em Palmas. O evento acontece no Café Literário, durante o 7º Salão do Livro.
Memórias de Petelico, quarto livro do autor residente em Araguaina, foi vencedor do concurso Bolsa de Publicações Maximiano da Mata Teixeira, da Fundação Cultural do Tocantins, na categoria romance em 2009. A premiação previa a publicação do livro cuja edição terá parte doada a escolas públicas estaduais e outra ao autor.
Segundo jjLeandro, o lançamento durante o 7º Salão do Livro põe a obra em contato com leitores de todo o Estado possibilitando ocasião única de divulgação do livro. “O Salão amplia o alcance da obra, sendo portanto rara oportunidade para lançamento de livros. Qualquer autor desejaria um evento desse para  lançamento de sua obra”, diz.

A obra

Memórias de Petelico é um romance narrado por uma criança que vê a sua cidade natal (Carolina – MA) perder importância econômica na década de 1960 com o advento da Belém-Brasília e o surgimento de outros centros populacionais no antigo norte goiano, hoje Tocantins. O próprio autor e sua família migraram, como fizeram milhares de pessoas, para Araguaina.
Para dar corpo à obra, jjLeandro utiliza o encadeamento de crônicas em capítulos tendo todas elas como fio condutor da narrativa a progressiva perda de importância de sua Carolina frente às cidades que se formavam na região.

O autor

jjLeandro é autor de outros três livros: Quase Ave, poesia, 2002; Babaçulândia, ensaio histórico, 2008; e A Morte no Bordado, romance, 2009. Já recebeu outras duas premiações com seus livros: do Instituto Goiano do Livro como poeta inédito no Concurso Cora Coralina em 2002 e da Bolsa de Publicações Maximiano da Mata Teixeira em 2009 com A Morte no Bordado.
Nascido em Carolina-MA, jjLeandro reside em Araguaina desde 1990. É membro da Acalanto – Academia de Letras de Araguaina e Norte Tocantinense desde 2003.



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Ascom/Acalanto (Academia de Letras de Araguaina e Norte Tocantinense) 20/07/2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

MEUS LIVROS À VENDA NA FLIT


AMIGOS,
meus livros estarão à venda no estande da LEART (Distribuidora da Editora Kelps) na Feira Literária Internacional do Tocantins - FLIT, de 25 de julho a 3 de agosto. Dê uma passada lá e adquira o livro de que mais gostar.
São quatro títulos à disposição:
1 - A MORTE NO BORDADO - Romance;
2 - QUASE AVE - Poesia;
3 - BABAÇULÂNDIA - Ensaio Histórico;
4 - MEMÓRIAS DE PETELICO - Romance Infanto-juvenil.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

MEU TIO DE SÃO PAULO













O alvoroço tomou conta da casa de meu avô no verão de 1966.
Havia dois dias que chegavam telegramas informando o retorno de São Paulo de meu tio. Com a força das águas de um dique que se rompe, foi impossível manter a notícia nos limites do casarão secular. Minha mãe e os outros irmãos souberam da novidade e se alegraram com a iminente visita de um dos caçulas da família. Ele representava a concessionária de veículos Chevrolet de meu avô junto à fábrica em São Paulo e só aparecia em casa uma vez por ano. Saíra adolescente do interior do Maranhão para polir-se no luxo da capital paulista. Adquirira por lá hábitos que causavam estranheza no sertão, entre eles fumar com cigarrilha, usar blazer por cima da camisa e não dispensar chapéus elegantes.
Além de desfilar com lindas mulheres em São Paulo — as fotos com elas chegavam amiúde nas cartas noticiando suas turnês pelos pontos turísticos e balneários paulistas, agravando as crises de asma do patriarca, mas enchendo a mãe de orgulho —, amava os carrões.
Quase sufocado pelas crises asmáticas, o pai ainda conseguia dizer:
— Esse menino tá perdendo o rumo.
A mãe, por sua vez, defendia:
—Ele tá é se instruindo entre gente polida.
E sem fim chegavam cartas, fotos, pôsteres, postais. Ele e elas na serra, na praia, no campo; sempre em belos carrões e na companhia de lindas mulheres. Li atrás num dos retratos a epígrafe com pretensão de dedicatória: “Um bom dia começa com o sorriso de uma bela mulher”. Meu avô achou pernóstico, minha avó sorriu contente.  Mas ele tinha bom gosto, não se podia negar: não havia nas fotos uma só delas que fosse feia. A beleza era irmã siamesa da elegância. Elas desfilavam ricos vestidos e sublimes casacos, bolsas alinhadas e sofisticados penteados. As pulseiras brilhavam nos braços e as gargantilhas tocavam sem pudor os colos salientes.  Como para a morte, mal comparando, para a elegância não havia hora. E nos retratos ninguém jamais estava contrariado: os sorrisos alardeavam a felicidade interior. 
Meu avô corria transtornado os grandes salões do casarão, as crises de asma querendo esganá-lo, com minha avó atrás pisando seus calos sem trégua pronta para o rebate. Ele gesticulava e quase gritava para o mundo inteiro ouvir:
—Esse menino é perdulário.
Ela, pedindo silêncio para a vizinhança não ouvir, explicava o comportamento do filho sob a condescendente ótica materna:
—Ele sabe é viver.

Os últimos telegramas marcaram a data de sua chegada para daí uma semana. Como era característica sua, prometia trazer uma grande surpresa.
Nas rodas das conversas familiares explodiram especulações e apostas.
— Vem casado.
— Não, traz uma bela arma. Ele ama armas.
—Sim, mas ama também as mulheres.
—Mas no final do ano passado trouxe uma deslumbrante, esqueceu?
E a inveja reacendeu a memória:
—Que loira, que altura.
Risos sob o caramanchão.
—Alguém lembra o apelido que deram pra ela aqui?
Um tio:
— Varapau!
Novos risos. Minha avó abanando as mãos num pedido de discrição.
Uma tia:
—A mulherada daqui ficou foi despeitada. Também, coitadas, todas baixinhas.
Outra tia, eram oito na família:
—Ele não dava bola pras naniquinhas daqui, por isso desfeitearam a moça.
Em meu canto, copo de refrigerante à mão, invejava a sorte do tio, imaginando pelas conversas dos outros tios sua fornicação com lindas mulheres num luxuoso harém. A ingenuidade insinuava que trocas vantajosas são possíveis e podem custar barato. Assanhei-me: “Eu troco esse copo de refrigerante pelo harém, quer, tio?”
Os tios voltaram a especular.
—Se não vai trazer uma linda mulher, o que pode ser?
—Uma máquina fotográfica?
Desdém.
—Ele já trouxe algo mais magnífico: a radiola portátil.
—Pois então uma caneta-tinteiro de ouro para o velho.
Um cutucão reparador de memória.
— Ih, esqueceu tudo, hein? Isso aí tem dois anos que ele trouxe.
O silêncio no caramanchão anunciava o fim da fertilidade das ideias e a capitulação dos tios. Insinuei-me no vácuo da conversa com uma aposta que despertou o riso geral por eu ser criança em vez da censura recorrente entre os adultos.
—Ele vai trazer um carrão.
—Tá louco, menino?
—Nem estrada boa tem pra cá.
Defendi minha aposta.
—E como chegam os carros do vovô?
—Mas isso é outra história. Os carros do seu avô são pra vender — explicou um tio.
Ante tão veemente oposição, rendi-me afinal. Voltei ao meu copo de refrigerante e a uma nova oferta mental ao tio de São Paulo: “Aceita pelo carrão, tio?”

Na véspera da chegada dele ninguém entendeu mais nada. E tudo porque ele telegrafou dizendo que estava em Miracema. O que ele fazia lá à beira do rio Tocantins? O comum era chegar num dos voos que iam para Belém com escala em Carolina ostentando a pompa da família entre outros ilustres da cidade.
Meu avô uma vez mais às voltas com a asma:
— Desatinado que é deve estar vindo de barco.
Ele explicava no telegrama que fretara um motor em Miracema para embarcar a surpresa, pois era grande.
Quando o carteiro foi entregar o telegrama, as apostas recrudesceram com força ainda na sua presença. Havia uma pista: a surpresa era grande, coisa de monta. O estafeta não resistiu ao alvoroço e também deu seu palpite.
—Um elefante.
Meu avô, à porta de casa, tardou na resposta pois lutava contra o estrangulamento asmático. Mas foi ácido ao recuperar o fôlego:
—Lhe cabe nessa conversa?
Humilde, o homem encolheu os ombros, mas não ficou calado.
—Me pague o telegrama que eu tô caindo fora.
Com a vontade de esganá-lo ardendo no rosto, meu avô pagou-o. E ele, zás, deu no pé.

Não havia outra solução. No dia marcado para a chegada, a família foi toda ao porto esperá-lo. Inqueito sob a soalheira, meu avô jogava seixos do alto barranco dentro do rio com a ponta da bengala. “Clop, clop”, era o som do mergulho dos seixos dentro d’água. Os círculos sucessivos cresciam na lâmina lisa e azul até tudo voltar à plácida liquidez.
Alinhados no barranco, o porto era pobre e com péssima infraestrutura, não tinha sequer um galpão para embarque e desembarque, os irmãos e irmãs com as famílias alinhadas atrás de si pareciam promover uma concentração cívica. Mas não eram objetos de mofa. As grandes famílias tinham seus dias de concentração cívica nas recepções no porto ou no aeroporto. Quando isso acontecia amiúde com uma família, causava até uma pontinha de inveja nas outras. A assiduidade festiva era sinal de status, poder.
Um curioso barqueiro, esquivando-se entre o burburinho do porto, cabelos batidos pelo banho recente no rio para mitigar o calor, aproximou-se de meu avô.
— Major — muitos o conheciam assim na cidade —, esperando alguém?
Meu avô incomodado. Era monossilábico quando se sentia desconfortável.
—Meu filho.
—Aquele de São Paulo? — tornou o outro com cara de quem conhecia a resposta.
—Sim.
—Vem de barco de Miracema?
—Sim.
A pequenez da cidade corroía como ácido a intimidade até expor a vida alheia.
—O carteiro me disse que ele alugou barco em Miracema. Parece que vem trazendo uma coisa grande.
—É.
—Não será um circo? O carteiro disse que tem até um elefante.
—Essa gente comenta demais por aqui — foi a resposta de meu avô, afastando-se do homem para encerrar o diálogo.
Foi refugiar-se na algazarra da vintena de netos pequenos atrás dos pais. Ali foi acolhido com sorrisos e abraços que quase tiravam a sisudez de seu paletó negro. Num raro momento de descontração, tirou o chapéu escuro de feltro e colocou-o na cabeça de uma das netas menores. O enxame de outros netos que queriam repetir a brincadeira fê-lo recolher o chapéu apressadamente e voltar a proteger do sol forte a própria cabeça.
A inquietação voltava na família à aproximação do cais de cimento de qualquer barco descendo o rio. Dedos apontavam o horizonte líquido, pescoços se espichavam por trás de cabeças para melhor visualização da cena, passos eram contidos para não precipitar corpos ladeira abaixo até a água a qualquer sinal de ameaça que ‘dessa vez é ele.’
Mas ele chegou após horas de espera. O seu barco surgiu como um pontinho distante, um grão de areia num oceano de água. Uma vez mais o comentário geral: “Agora é ele”. E era. O motor veio crescendo para o cais, gordo, disforme. A aproximação delineou suas formas. Não era só um motor. Trazia algo atravessado sobre a cobertura. Um carro! Um carrão para bem casar a imagem à palavra. Recebi vários cumprimentos dos tios que se lembraram do meu prognóstico: “Ele vai trazer um carrão!” Quem dentro do carro? Ele, meu tio. O carrão era um Impala conversível 1963. Sentado ao volante ainda servia-se de uísque escocês quando o motor atracou. Não havia trazido mulher dessa vez. Era isso que os olhos ávidos de meu avô procuravam após convencer-se que aquilo não era só um sonho ruim.  Menos mal. Mas meu tio foi pródigo na distribuição de uísque para a tripulação. De Miracema a Carolina, constatamos depois, consumiram seis litros do mais puro escocês. Os litros vazios acumulavam-se sobre o banco de couro vermelho e o soalho do carro.
O trajeto do porto ao casarão na praça, meu tio sorridente ao volante do imponente Impala conversível acenando para os amigos, meu avô no banco traseiro acusando constrangimento nos pigarros asmáticos, um cordão dos outros carros da família atrás, talvez tenha sido o primeiro desfile em carro aberto que aconteceu na cidade. Em questão de minutos o Impala tornou-se objeto dos comentários em Carolina.
Para desassossego de meu avô, a partir do dia seguinte, a todo instante um mensageiro lhe dava notícia de onde estavam o filho e o Impala conversível: “No barranco do rio com as putas”, “No Lajes tomando banho com as amigas”, “No Itapecuru com os amigos”.
Era esse o meu tio de São Paulo que sempre surpreendia a família em suas visitas anuais.


jjLeandro


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 Foto: Impala 1963 -  

terça-feira, 12 de julho de 2011

DELFINS E SEREIAS


DELFINS E SEREIAS

Sou do mundo das águas.
Em Carolina,
Do útero ao túmulo elas
Transportam os homens.
E os transmutam ao contato
Mágico do Tocantins
Em seres que nascem humanos
E se tornam iguais a mim.
E que só se afogam
No leito nupcial das sereias,
Porque ao seu canto
Rendemo-nos todos,
Tão propriamente chamados delfins.


jjLeandro

Foto: Rio Tocantins - jjLeandro (2008)