terça-feira, 17 de agosto de 2010

DESMATERIALIZAR

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Quando faço o poema
Me desfaço poeta.
Deixo de ser matéria
E me torno essência.
Como o perfume que antes
De ser fragrância
Tinha outra aparência.


jjLeandro

CERRADO EM FLOR



Flor do Cega-machado -   Fotos: jjLeandro
Ipê Amarelo
Ipê Amarelo
Taipoca
Cega-machado
Cega-machado
Nada mais belo nessa época do ano que o Cerrado brasileiro. São centenas de espécies de árvores florindo, antecipando a primavera. O verde constante da vegetação é polvilhado com cores alegres que variam do amarelo ouro ao roxo, paasando pelo branco, lilás, rosa e muitas outras tonalidades de cor.
Mostro algumas das mais abundantes ou belas espécies que alegram os campos dos cerrados durante o estio.

domingo, 8 de agosto de 2010

MENOR QUE A MINHA SOMBRA



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Como engrandece-me o sol.
Como sou grande às cinco da tarde.
Mas murcha todo
O meu deslumbramento e alarde
Quando percebo
Ainda às cinco da tarde,
Como em qualquer hora do dia,
Quão sou minúsculo
Ao lado do homem
Que me olha com desprezo
Já tão próximo do crepúsculo.


jjLeandro

terça-feira, 27 de julho de 2010

AMOR SEM RISCOS

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Por nada arrisco
O amor que construímos.
Bastou-me
No tempo da conquista
Ter o risco da recusa
Permanentemente
Em vista.


jjLeandro

domingo, 25 de julho de 2010

PRAIA NO RIO DO COCO - TOCANTINS

Julho é mês de muita praia no Tocantins, que tem grandes rios privilegiados pela beleza de suas areias na época de estio.
Quando se fala em belas praias, areia e muito sol, pensa-se logo em Araguaia e Tocantins.
Mas o rio do Coco, no município de Caseara, afluente do Araguaia, não fica nada devendo aos dois maiores protagonistas no Estado. É um grande rio, em alguns trechos tem mais de 600 metros de largura. E quando a água baixa, exibe a beleza de suas areias finas, seduzindo os turistas à curtição na temporada das praias que vai de junho a setembro.
Estive lá semana passada e posto algumas fotos da Praia do Sol. Mas o Coco tem infinitas delas , semeadas em suas margens e conjunto de ilhas.


jjLeandro

Detalhe das barracas na praia


 

A Praia do Sol - Rio do Coco
 
Canoa usada na travessia para outras praias do Coco

O sol se pondo por trás da mataria
Nessa época, o rio é raso

A travessia de praia a praia pode ser feita com água até a cintura

A praia à espera dos turistas. Um ambiente virgem

As areias do rio do Coco e as pegadas dos turistas

domingo, 4 de julho de 2010

O SOL, O SOL

O sol só entra e sai de cena dando espetáculo.

Sol se pondo - jjLeandro

Nascer do sol 1 - jjLeandro

Nascer do sol 2 - jjLeandro

Nascer do sol 3 - jjLeandro

Nascer do sol 4 - jjLeandro

Nascer do sol 5 - jjLeandro

Em Caseara (TO), a cada dia são duas ótimas possibilidades de flagrá-lo entrando ou saindo lindamente de cena. E apesar de tanta beleza, nunca causa estardalhaço. É tudo em êxtase mudo. Assim também nós ficamos diante de tão belo espetáculo.

jjLeandro

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O DESABAFO DA BOLA



Triste sorte a minha de o mundo exercer a burrice: o futebol é unanimidade universal! Para minha desgraça não existe ainda uma sociedade protetora da bola. Frustrei-me com o juiz; nele depositava confiança de parar o linchamento. Tempos atrás tinha a aura de um magistrado, sobriamente vestido de preto. De nada adiantou, de preto ou coloridamente fantasiado nos dias de hoje, é o meu principal carrasco. Até pune com cartões os jogadores que se agridem quando tentam me acertar. Ele diz, apontando-me: ‘não percam o foco; chutem somente ela, a bola!’

Por isso, nesta Copa do Mundo africana eu tremo uma vez mais quando sou obrigada a adentrar as quatro linhas como os cristãos na Roma antiga imolados por leões sob o júbilo de milhares de espectadores que lotavam as arenas. O espetáculo é idêntico, não percebem, ou se negam enxergar? São 22 estúpidos correndo atarantados atrás de mim, com a finalidade de me dar um violento chute com o pé encaçapando-me no retângulo de 2,44m por 7,32m. A ovação é grande, delírio garantido em ao menos metade do estádio quando me forçam a entrar lá. Há ainda alguns zagueiros ou goleiro do time que desejava evitar a minha ultrapassagem da linha do gol que, revoltados com a própria impotência, desferem-me um chute de misericórdia, lançando-me descontrolada contra as redes ou na direção do meio do campo. Não há escapatória possível dentro das quatro linhas. Quando tento evadir-me, pelas laterais ou linha de fundo num vacilo ou inabilidade dos jogadores, rápido surge um aprendiz de torturador — mal apropriadamente chamado gandula — que me lança sem tempo para respirar às mãos dos malditos que me repõem em jogo.

Vejam bem, sou culpada de tudo, mesmo sendo a maior vítima dessa sessão de tortura chamada jogo de futebol. Quando a falta de habilidade castiga um jogador e ele erra, momento de regozijo para mim, ainda tentam atingir-me nem que seja com palavras ao dizerem: ele furou a bola! E quando o inepto faz uma jogada ridícula, sendo quase linchado como eu, nem assim estou livre, pois o reprovam enxovalhando-me: ‘bola murcha!’ Uma inverdade, pois quando me torturam, é bom que se diga, nunca permitem que eu esteja com peso abaixo de 410g nem superior a 450g. Se um desses hábeis torturadores faz uma jogada que consideram linda, dando-me bolachas de todos os lados como malando na sua mulher, empurrando-me de lá para cá e de cá para lá, sem que um adversário me toque, e afinal me obriga a ultrapassar a linha do gol, sou escarnecida com um: ‘bola cheia!’ Mas não estou obesa, continuo com o mesmo peso.

Não tenho mãos para defesa, nem pés para evadir-me, tampouco orelhas para escutar. Sou esférica, a perfeição como previu Pitágoras, mas isso não me ajuda nada. Pelo contrário, prejudica-me tornando a perseguição implacável. Se um estabanado, pouco destro em tocar-me apesar de meu corpo — pela minha forma — favorecer o contato em qualquer ponto, apenas raspa-me o pé e saio por aí girando sobre o próprio eixo, uma vez mais sofro humilhações. Comparam-me inapelavelmente à feia ave de rapina de hábitos noturnos, acrescentando-me o que não tenho: ‘acertou na orelha da bola!’

Com tantos maus tratos sofridos, tenho ainda que aguentar as maledicências dos cretinos que transmitem ao mundo o meu infortúnio durante 90 minutos, dizendo em tom de mofa que sou ‘Sua Excelência, a bola!’ E Excelência apanha tanto por acaso?, eu perguntaria se boca tivesse.

Só sinto-me um pouco vingada quando, após um peteleco, iludo o goleiro, fujo-lhe às mãos e vou entrando lentamente sem dó nem piedade. Vibro por dentro de felicidade ao notar que a torcida toda se levanta num lamentoso ‘ohhh!’, não acreditando no que vê. Mas minha alegria tem duração da alegria de pobre, pois neste momento desgraçadamente mudam-me o gênero: deixo de ser bola e torno-me frango! Mas por que diabos?!

Vejam só: sofri muito nos pés de um endiabrado moleque que não me tinha dó nem piedade, embora dissessem que tinha três corações. Sempre duvidei e até hoje me faço uma pergunta: e se tivesse só um, o que eu teria passado nos seus pés? Foi tanto o seu desprezo por mim que me humilhou 1284 vezes em sua carreira. Um recorde mundial. Recebeu por conta disso um nome que lembra muito o meu couro que ele tanto esfolava — Pelé. Como nunca esteve em minha pele jamais soube o mal que me fez. Depois de humilhar-me, ia ao fundo das redes buscar-me, dava-me beijinhos (quanta hipocrisia!) e corria comigo sob o braço para o meio do campo. Sabem por quê?

Tinha pressa em chutar-me novamente para as redes.




jjLeandro