terça-feira, 31 de março de 2009

REVELAÇÃO

Todo subscrito
É revelação
De uma vida na qual abunda
Segredo
e míngua confissão.

Nos cemitérios sim
Proliferam confissões
E desespero
Em lápides arrependidas
De quem perdeu a
Esperança.

De que adianta
A repressão de uma vida inteira
Se a morte mesmo sem
Revelar-se e sem assinatura
Desvenda todos os segredos.

Não é diferente:
Os homens também ficam nus
Após a morte.



jjLeandro

sábado, 28 de março de 2009

ARAGUAINA DEBAIXO D'ÁGUA


Motoristas tentam retirar carro de dentro d'água


Casas invadidas pela água na rua Paranaíba


Hospital afetado pela água da chuva


Neblina transborda e invade pista dupla marginal

No dia em que o prefeito Valuar Barros (DEM) e o governador Marcelo Miranda (PMDB) lançaram pela manhã a Ação Emergencial, Araguaina sofreu os efeitos de mais uma forte chuva no início da tarde. Por quase uma hora neste sábado, 28, após as 14 h, o temporal castigou a cidade, deixando ruas e casas alagadas, prejudicando ainda o trânsito de veículos. Para complicar, faltou energia elétrica em vários bairros durante a forte chuva.

O temporal deixou evidente um problema crônico que afeta o trecho urbano banhado pelo córrego Neblina: mesmo após a sua canalização, a água alaga ruas e casas ribeirinhas. Na tarde deste sábado, não foi diferente, quase todas as ruas que cortam o riacho ficaram intransitáveis, impedindo a passagem de veículos, causando grande transtorno a pedestres e motoristas.

No Centro, hospitais, clínicas e residências das proximidades do córrego foram invadidos pela água.


jjLeandro

sábado, 21 de março de 2009

GOTA A GOTA

A torneira pinga
água na pia da cozinha.

Quieto sobre um banco,
o gato espera um peixe
descer a cachoeira.



jjLeandro

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

REMÉDIO

Para penetrar
Um coração empedernido
E tocá-lo no âmago,
Só um amor saxífrago.



jjLeandro

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

DESCONHECIDO

Fiz-me do pó
De tantos homens
Que nem sei quem sou
Nem qual o meu nome.

jjLeandro

sábado, 7 de fevereiro de 2009

MINHAS ANDANÇAS

Muita água por aí
Mais tempestade
Pòr-do-sol 6
Pòr-do-sol 5
Tempestade ao final do dia

Pôr-d0-sol 4
Pôr-do-sol 3
Pôr-do-sol 2 Pôr-do-sol 1
Neblina na alvorada
O dia nascendo
Fim do dia com tempestade

.

Amigos,



O melhor das viagens que faço são as preciosidades que trago em flagrantes da realidade mundana.


Meu equipamento não é profissional, por isso fala alto apenas a sensibilidade para perceber o momento.


Trouxe vários fotos que agora compartilho com os amigos, são de uma série do nascer e pôr-do-sol na região de Caseara (TO), algumas delas lembrando os céus convulsionados de Dante Alighieri.


jjLeandro

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

SERÁ QUE ELE MORREU?

Há dias não publicava nada aqui. Enlanguescia. Fazia o percurso contrário da maioria das pessoas que tentam jogar fora as vestes do ano velho e buscam no Ano Novo leves vestes que as tornem mais ágeis e bem sucedidas.

Não ligo a mínima para essa balela de “ano novo, vida nova”. Temo nesse jargão muito mais a armadilha consumista: “mude tudo! Vá às compras, qualquer renovação começa com gastos perdulários esvaziando o seu bolso, não percebe?!” Quem já pensou nisso?

Mas não foi por causa do Ano Novo que enlanguesci e perdi minhas forças. Sei lá, acho que havia dado férias à criatividade que, admito, tanto suguei anos a fio. Talvez inconscientemente buscasse recompor-me da débâcle de uma ininterrupta exploração intelectual. Há horas que tudo pira, acho que ia por esse caminho.

Mas tantos dias sem publicar trouxeram-me um incômodo, confesso: os poucos que me lêem (isso já era com a reforma ortográfica, mas ainda mantenho o acento porque nesse primeiro momento, sem ele, a maioria acharia que era um erro meu!) poderiam pensar o pior. “Será que ele morreu?”

Sim, aqui na Internet uma interrupção brusca da parte de quem é assíduo publicador é interpretada como morte por muita gente. Ferroou-me agora a curiosidade de como seriam as reações. “Coitado dele! Era tão perseverante e já morreu.” Outros seriam mordazes: “ih, já se foi e nem teve tempo de aprender a escrever direito!” E alguns mais cruéis: “esse não vai mesmo fazer falta, nem com todo o tempo do mundo aprenderia a escrever!”

Mas não foi por isso que resolvi preencher a lacuna que o calendário poderia transformar em uma incógnita. Nesses dias sem escrever uma vírgula andei pela casa como um zumbi, parecia a procura de algo que não perdera mas me fazia falta. Não me aquietei diante da TV assistindo aos jornais com as notícias do genocídio que o Exército israelense perpetra em Gaza contra o povo palestino e vergonhosamente o Ocidente aquiesce; não me contentei também em ir à biblioteca e ler em Schopenhauer a descrença com o ser humano da qual compartilho. Nem observar solitário o sol que agoniza ao final do dia por trás do muro do fundo de meu quintal. Faltava algo mais, transcendente a tudo isso. Quem primeiro me deu uma pista foram os meus dedos quando folheava recostado na cadeira da área de minha casa um velho livro de viagens. Pareciam querer digitar no papel. Inaceitável, objetei imediato, estou em fase de recuperação. Isso leva tempo, não vê Ronaldo o Gordo, recuperando-se lentamente no Corinthians? Preciso de tempo.

Quem disse que isso adiantou? Eu não disse! Fui quase arrastado por uma força indômita para diante do computador, e só senti-me pleno quando comecei a digitar essa crônica. Só agora descobri que em mim escrever é um ato involuntário, mas enfim compensador e muito prazeroso.